A menina
Era uma menina
Nem gorda nem magra
Nem alta nem baixa
Nem bonita nem feia
Os seus dias não eram nem bons nem ruins
Ela não era nem triste nem feliz
Gostava de filmes meio engraçados meio tristes
Gostava de musica meio alta meio baixa
Gostava dos meninos meio bonitos meio feios
A menina teve mais ou menos sucesso na vida
Nunca chorou
Nem nunca deu uma gostosa gargalhada
Nunca se aventurou demais
E nem conheceu de perto o tédio
Era o meio termo
Sem graça
Sem sal
Nem açúcar
Era a menina
Assim sem rima
Assim sem gosto
Assim quase sem vida
Ela só descobriu que vivia no dia de sua morte
Minutos antes de padecer de vez
Ela olhou através das janelas
E chorou...
Não sabia que iria morrer
Mas chorou
E seu pobre coração que estava meio batendo meio parado
Não resistiu
A menina morreu
E, só quando morreu
Percebeu-se a existência da menina...
(Daiana Geremias)
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