Diários da minha casquinha...

                      [Ao som da voz de Renato Russo, da guitarra do Dado e da bateria do Bonfá...]

 

Legião urbana vicia.

E tudo o que vicia, mata.

Devia ter receita médica, daquelas azuis, pra comprar CD da legião...

Ainda procuro por vinte e nove anjos. Está chovendo, mas eu não desenhei com giz na calçada...

Os bons morrem antes e, antes de eu morrer, quero viver...

Lógico isso, né?

Lógico, obvio e de difícil percepção...

Saio às ruas procurando Eduardo e Mônica.

Tento nem lembrar dos versos de Vento no Litoral, essa coisa de despedida, de lembrar planos e promessas e momentos e mentiras, essa coisa é doente... O amor é um sentimento doente, uma ferida que forma casquinha...

E a gente teima em tirar a casquinha quando está quase cicatrizando...

Pois é, Legião urbana vicia e eu descobri o que quero fazer nesses meus intervalos de vida...

Olho pra ferida. Ela está ali.

Junto dela, a casquinha...

Não, já não vejo mais graça em tirar casquinha... Descobri que sou meu próprio mertiolate.

"O tempo é mercúrio cromo, o tempo é tudo que somos..."

            Descobri por que Clarisse se trancava no banheiro...

            Descobri por que João Roberto bateu com o carro...

                        Eles tiravam a casquinha...

 

 

 

Quero ver se aprendo a não tirar mais...

Somos tão jovens...

Eu sou tão jovem! E sei que a minha historia não estará pelo avesso assim, sei que, se eu quiser, posso gritar os versos de Andréa Doria por aí...

Sei que eu posso chorar e sorrir e sentir e sair...

            Ainda posso fazer tudo isso sem precisar mexer com a casquinha...

                        Ela logo cai sozinha e eu nem vou sentir falta...

 

“E vinte e nove anjos me salvaram e tive vinte e nove amigos outra vez...”

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