Delírios

 

Os gramados estão verdes

O céu não está mais em seu lugar

Ouço vozes que se confundem

Digo palavras que não são minhas

Não há estrelas e nem o brilho do sol

A chuva molhou a minha mente

E a neve apareceu em algum lugar do mundo...

Escuto uma música sem ritmo

Vejo um filme sem sequência

As praias viraram esgotos

E as árvores pegaram fogo

Nenhum vestígio de cor

Nenhuma carta pintada de rosa

E eu sinto como se o mundo não o fosse

Os bichos usam plumas em suas cabeças

As cortinas são fechadas

E as portas estão trancadas

Não há vírgulas nem ponto final

E o sinal que espero não virá

As pessoas gritam

Os pássaros riem

Instituições modelos formando cidadãos acéfalos

O dia não passa

A vida começa

E a morte não cansa.

Não penso em utopias

Nem busco sonhos banais

As coisas se encontram

O papel estará sempre em branco

Os dentes não se separam

A língua procura pelo beijo

As luzes se apagaram

Quando os dois amigos chegaram...

Estou só

Permaneço ao canto

Não discuto

Não questiono

Apenas ouço

Tudo ao meu normal

Vendo coisas sem padrões

Buscando dias e noites e estações

Minha cabeça dói

Mas na verdade eu nada sinto

Procuro fingir uma indiferença

E dormir em meu canto

Sozinha

Cansada

E sem sono.

Deito e durmo.

Só durmo quando acordo...

 

(Daiana Geremias)

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