Não quero voltar a beijar seus lábios frios, não quero querer estar ao seu lado.
E nem quero mais sentir que você boceja enquanto eu falo.
Nunca quis o tamanho dos meus erros, tampouco quis as medalhas dos meus sucessos.
Faz mal isso de ver o fogo brilhando em palavras que são medidas antes de serem ditas.
Eu quero sair.
Eu quero beber quem me faz bem.
E quero vomitar as lembranças que parecem boas, mas que enganam.
Na minha mente estão as músicas e as palavras.
Nas minhas mãos estão os meus óculos.
No meu caminho estão os percalços. E também alguns riachos feitos de sorrisos e alguns oceanos de amigos.
Não quero contar gotas.
Não quero medidas exatas.
Quero o que eu possa sentir. Quero o que me faça chorar. Quero o que me faça viajar.
Desejo que algumas feridas cicatrizem logo e que as cicatrizes não doam.
Não quero medidas. Nem regras.
Odeio a precisão de quem necessita parecer correto.
Eu não sei ser lógica e racional.
Não quero explicações, fórmulas e teorias.
Quero ver o que a vida me ensina e esquecer a inteligência artificial que engoli nos últimos anos.
Que seus lábios fiquem longe.
Que seus pensamentos se afastem dos meus.
E que suas mãos não tentem me tentar, porque por trás desse gesto se esconde um cisco de vingança.
Não quero ser do bem. Nem do mal.
Quero poder sentir as oscilações que a vida me reserva. Longe do que eu não creio. Longe do que me é estipulado. Longe dos bocejos.
Longe do bocejo do seu beijo.
(Daiana Geremias)
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