Adversidades

Eu quero viver como os poetas
Quero sentir como os grandes compositores
E revelar a minha arte como um espelho do que
Minha imaginação diz

Eu quero saber se é mesmo possível
Ter amor
Ser amor

Quero entender como é que as pessoas falam
Quero entender sobre o que as pessoas falam

Será que só falam?

Ouço a música que diz o que eu penso
Vejo o filme que encena a minha história
Olho a tela que é o meu retrato

E nada disso veio de mim
Nada fui eu que escrevi
Muito menos pintei

Quero saber como eles podem fazer isso
Quero cantar os meus dias
E encenar os meus momentos

Dos seus olhos faço a tela
E sem ao menos ter pintado já percebo que é arte...
Ensaio meus momentos como se fossem cenas
Procuro um papel
E uns efeitos especiais

O que eu improviso ficou mais natural
O que eu não pintei resultou na tela mais bonita
E as músicas que eu não encontrei ritmo foram as mais belas canções.

Tudo estranho
Tudo diferente

Não sei mais o que quero
Sei apenas o que consigo fazer

Não sei o que encontrei
Mas sei que a busca não acaba
E que meus olhos ainda enxergam as mais belas telas
E minha voz ainda cantará a canção mais linda

Uma canção sem roteiro
Uma tela sem som
E uma cena em preto e branco

Realidades minhas
Sonhos meus
Loucuras que penso e faço
Viagens que planejo
E caminhos que não sigo

Tudo no mais nítido espelho d’alma
Espelho sem moldura nem padrões
Brilhando nos meus reflexos mais íntimos...

(Daiana Geremias)

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