Em foco

Busco respostas, mas prefiro não encontrar.

Tento entender os motivos dos meus sentimentos e as razões que me levam a agir de tal maneira.

Procuro palavras, músicas bonitas, poemas tristes e com rimas...

A foto que tanto me machuca eu já não vejo. Não vejo, mas aquela imagem e os momentos naquele dia vividos estão nos meus olhos quando eu os fecho e no meu sorriso quando me perco no refrão da nossa canção.

As nossas conversas me fazem viajar e as nossas brigas me atormentam.

Fico confusa e maravilhada.

Não sei se devo buscar respostas ou se devo amar o que eu amo e aceitar o que eu não entendo.

Posso chorar, posso sorrir.

Não espero mais nada. Nenhuma atitude. Nenhuma reciprocidade.

Contento-me com a rotina. Logo eu, que sempre odiei as coisas iguais. Odeio a rotina, odeio o cotidiano. Odeio, mas me conformo.

Sentimentos estranhos, atitudes que não são minhas, palavras que nunca pensei dizer, gestos que eu queria fazer e não faço.

As coisas se misturam e eu não quero mais pensar no que vou sentir.

Quero poder ver os filmes que me agradam e ouvir as musicas que eu mais gosto. Quero usar as roupas que eu sempre usei. Quero dizer se eu não gosto. Não preciso concordar com o que eu não concordo.

Aprendi que não se pode amar alguém sem amar a si mesmo.

Perguntei uma coisa e a resposta veio para outra pergunta.

Ainda não sei o que procuro.

Mas sei o que encontrei.

Encontrei a mim mesma tentando encontrar um outro alguém.

Quero sentir o que realmente sinto.

Quero gostar do que realmente gosto.

E começar uma historia que até então estava com erros de pontuação.

Agora sei onde colocar uma virgula. E sei o que realmente merece uma exclamação.

Não penso muito em ponto final.

E sobre você e o que sinto, abro um parágrafo e termino o capítulo com saudosas reticências.

 

(Daiana Geremias)

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