Incomoda-me o fato de sermos seres tão complexos e ao mesmo tempo tão ingênuos.
Vivemos preocupados com o que comer na hora do almoço ou com que perfume vamos usar. É uma rotina tão fútil e tão ridícula que acaba se tornando conveniente.
Por que estamos aqui? Pra que servimos? Morreremos sem saber...
E, no dia da nossa morte, não faremos idéia do número de pessoas que, naquele exato momento estão passando fome e sofrendo.
A arrogância dos generais de guerra, dos seus soldados submissos, de cada pessoa que mata sem saber o porque continua intacta.
E isso preocupa.
Colaboramos com cinco reais para a campanha do momento.
Ligamos o computador, a TV e o ar condicionado.
E os grupos atacam. Inocentes morrem.
E complexidade é tão grande que nos defendemos dizendo que já não se tem o que fazer.
Nem ao menos no amor estamos confiando.
O amor esta fora de moda.
Qual é a razão pela qual levantamos todas as manhas e respiramos?
Por que fugimos da realidade?
Esse mundo é grande demais. As realidades e as tribos são diferentes.
Diferenças que se encontram numa batalha por um direito simples e básico. Precisam de comida, medicamentos, roupas. Mas, não precisam de armas.
É isso que não entendem.
É mesmo necessário que milhares de crianças se encontrem esfomeadas a ponto de não conseguirem nem ao menos tentar comer?
Será mesmo que é tudo isso em vão?
As pessoas estão desacreditadas.
E as guerras e conflitos são constantes.
Colecionamos postais dos lugares mais lindos. Londres, Paris, Roma e o Rio de Janeiro (continua lindo!).
O fim do mundo? Camboja? Chechenia?
Lá os dias começam no horário em que se percebe trinta segundos de silêncio e termina na próxima explosão.
As crianças, as mulheres e os idosos não têm vez.
Direitos iguais?
E o que me angustia é saber que não vai mudar.
As guerras são feitas para pedir paz.
Vivemos numa ironia globalizada, onde o mundo é dividido em três partes e as pessoas são divididas por raças e costumes.
Essa mistura de realidades é assustadora..
Nada de amor ou solidariedade. Ceguemos as nossas mentes. Falemos sobre coisas belas.
Só assim poderemos dormir por doze horas tranqüilas de sono.
Cada um por si.
E o mundo contra todos.
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