Por que essa mania de resolver as coisas?

Por que ficar se preocupando com as coisas do amor?

Por que nos afastar de quem amamos por medo do que isso possa significar?

Não é brilhante a capacidade de amar?

Por que amar parece exigir reciprocidade?

Por que as musicas sabem tanto dos nossos sentimentos?

Por que choramos ao nos lembrar do que um dia nos fez sorrir?

Por que sorrimos para disfarçar nossa angústia?

Por que nos convencemos de que tudo tem que ser certo e confiável?

Por que nos emocionamos com as mais diversas histórias de amores e não aceitamos as nossas?

Por que enxergamos perigo em relações de amizades?

Por que sonhamos tanto e não tentamos realizar nem metade do que queríamos?

Por que vamos viver e morrer sem saber metade das respostas para as tantas perguntas que fazemos?

Não seria mais fácil deixar que os sentimentos dominem o que a razão ofusca?

Não seria mais prazeroso falar sobre o que faz sorrir e sobre o que faz chorar?

Sem essa de tentar camuflar emoções que são os reflexos da nossa alma.

Sem essa de analisar cada passo com medo do que possa dar errado.

Sem essa de sentir medo dos nossos erros, eles são fundamentais.

Sem essa de querer saber amar, o amor não se aprende, apenas se demonstra.

Sem essa de querer ser feliz durante toda a vida, não há nada de tão impossível, a felicidade é a superação dos momentos de tristeza que vão e vem.

Nada há de tão complicado quanto querer explicar as angústias humanas, talvez porque sejam elas as nossas mais fiéis parceiras (e traiçoeiras) sombras ao longo de nossas vidas.

Há apenas a certeza de que estamos vivos por algum motivo e de que viver é muito mais do que o esforço que fazemos para que o nosso coração bata.

Viver é saber preencher os momentos de cada dia com infinitas possibilidades de relacionamentos e relações, é saber enxergar os lados de cada situação e, acima de tudo, conseguir sentir os gritos do nosso coração, como se fossem músicas instrumentais, filmes em preto e branco ou apenas um canto daquele pássaro que vive escondido embaixo das folhas secas numa manhã de outono, escondido, calado, mas vivo...

 

(Daiana Geremias)

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