Estou estranha.
Não sei me definir
Nem sei me explicar
Choro por motivos que não são dignos de lagrimas
Choro por pessoas
Choro também de tanto dar risada
E do que eu rio, eu nem sei
Porque não faz sentido nenhum
Rir da própria desgraça
Mas o riso é instantâneo
Choro com a mesma facilidade com que rio
Amo com a mesma facilidade com que gosto
Odeio com a mesma facilidade com que amo
Não tenho do que reclamar
Tenho tudo o que preciso
Sou inteligente
Sou jovem
E daí?
Não sei mais o que faço
Não sei porque insisto em alguns sonhos distantes
Não sei porque escrevo
Escrever acalma
Agora eu sei...
Sinto como se estivesse regando flores artificiais
Sinto como se houvesse mais estrelas no céu da minha noite
Sinto como se minha voz gritasse apenas quando eu não quero
Busco respostas
Sem fazer pergunta alguma
Choro pessoas e momentos
Vivo no passado
Penso no futuro
Esqueço do presente
E no fim, o que eu encontro
São páginas rasgadas de uma longa historia do que não aconteceu.
(Daiana Geremias)
Solos de guitarra
Um solo de guitarra
Uma canção sem palavras
Uma capa de vinil
Um encarte vazio
Chove
Esfria
Nem o café aquece
E minhas mãos tremem
O frio me ajuda
Os solos de guitarra me acalmam
A tempestade me fascina
O café me entorpece
Uma solidão perfeita
Um suspiro gelado
E a música atrás de tudo
Não vou cantar
Nem vou gritar
Nem tocar uma guitarra imaginária
Nem pensar em alguém pra me sentir mal depois
Deito
Vôo
Volto
Descanso
Vôo
Queria outro solo de guitarra
Um solo pra cada momento
Um solo pra cada saída
Um show pra cada retorno
Uma estrela no teto do meu quarto
Acaba o vinil
É só virar
Minha música começa
E eu vou voar
Deito
Vôo
Volto
Descanso
Choro
Vôo
A solidão é perfeita
Ideal
Eterna e silenciosa
Estou dormindo antes que o vinil acabe
Não sei se é cedo ou tarde
Estou dormindo antes que o vinil acabe
Não sei se a chuva parou
Não sei se o café esfriou
O solo da guitarra invade os meus sonhos
E eu sonho antes que o vinil acabe
Não lembro a letra
Não conheço as notas
Não sei a tradução
Vou dormir e voar
Voar ao som dos solos da guitarra
E do barulho da tempestade...
(Daiana Geremias)
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